Citros · 15 de outubro de 2026 · 6 min de leitura
Cancro cítrico e greening: vistoria e relatório passo a passo
Aprenda a inspecionar cancro cítrico e greening no campo, registrar achados e montar o relatório oficial em poucos minutos

Faça a vistoria de cancro cítrico e greening e registre tudo no relatório oficial. Siga o passo a passo abaixo.
Como se faz
- Defina o talhão a ser inspecionado. Anote a área em hectares e o número estimado de árvores (uso comum: 500 árvores/ha).
- Leve bloco de anotações ou celular com o aplicativo todocampo. Abra a ficha de vistoria se já existir.
- Caminhe ao redor do perímetro e entre nas linhas, observando cada árvore.
- Identifique sintomas de cancro cítrico: manchas escuras na casca, galhos secos, exsudato.
- Identifique sintomas de greening: folhas amareladas, frutos pequenos e deformados, presença de psilídeos.
- Marque a árvore com fita amarela (cancro) ou azul (greening) e registre o número da planta.
- Conte quantas árvores apresentam cada sintoma. Anote também a severidade (leve, moderada, grave).
- Ao terminar, some os totais por sintoma e calcule o percentual sobre o total de árvores inspecionadas.
- Preencha o relatório oficial: campo, data, responsável, número total de árvores, número de árvores com cancro, número com greening, percentual, observações.
- Envie o relatório ao órgão competente (MAPA ou Secretaria de Agricultura de SP) conforme orientação local.
Exemplo com números
Exemplo: talhão de 3 ha, densidade média 500 árvores/ha → 1 500 árvores.
- Árvores inspecionadas: 1 500
- Árvores com cancro: 30
- Árvores com greening: 12
- Total sintomáticas: 42
- Percentual sintomático = (42 ÷ 1 500) × 100 = 2,8 %
- Severidade média: 30 % leve, 50 % moderada, 20 % grave.
Cálculo passo a passo
- Some as árvores sintomáticas: 30 + 12 = 42.
- Divida pelo total inspecionado: 42 ÷ 1 500 = 0,028.
- Multiplique por 100: 0,028 × 100 = 2,8 %.
- Separe por doença: cancro = (30 ÷ 1 500) × 100 = 2,0 %; greening = (12 ÷ 1 500) × 100 = 0,8 %.
- Insira no relatório: "Talhão 3, 1 500 árvores inspecionadas, 30 com cancro (2,0 %), 12 com greening (0,8 %), percentual total 2,8 %".
O que entra na conta
- Entram: número total de árvores no talhão, número de árvores com sintomas, classificação de severidade, data da vistoria, responsável técnico.
- Não entram: produção de frutos, preço de mercado, histórico de doenças de outros talhões, custos de insumos, dados climáticos.
- Use apenas informações coletadas no dia da inspeção. Para referência normativa, consulte o site do MAPA ou da Secretaria de Agricultura de São Paulo; não inclua números não medidos.
- No todocampo, a soma automática das árvores e o cálculo de percentual são gerados ao salvar a ficha; revise antes de enviar.
- O relatório deve ser claro, sem texto introdutório. Comece com a identificação do talhão, siga com os totais e finalize com observações práticas para manejo (ex.: "remover galhos secos, aplicar controle de psilídeos").
- Mantenha cópia digital no celular e backup no servidor do todocampo para auditoria futura.
Variações por região e época
A incidência de cancro cítrico costuma ser maior nas áreas de altitude entre 600 m e 800 m, onde a umidade favorece o fungo. Em regiões litorâneas, o greening aparece mais cedo, logo após o início da primavera. Ajuste a frequência da vistoria: 2 vezes ao ano nas áreas de risco e 1 vez nas zonas menos vulneráveis. A época de colheita também altera a visibilidade dos sintomas; folhas amareladas são mais fáceis de detectar logo após a floração.
Quando medir
- Meça a densidade antes da primeira vistoria. Delimite 0,1 ha, conte as árvores e registre o valor.
- Reavalie a densidade a cada ciclo de 5 anos ou quando houver replantio em massa.
- Use a densidade medida para todos os cálculos subsequentes; não substitua por valores genéricos.
O que muda por região ou época
- Altitude > 700 m: aumente a margem de erro para cancro em +0,5 % devido à maior umidade.
- Litoral < 200 m: reduza o intervalo de inspeção para 30 dias na primavera, pois o greening se espalha rápido.
- Estação seca: concentre a busca nas áreas sombreadas, onde os sintomas permanecem visíveis por mais tempo.
- Estação chuvosa: aumente a atenção a exsudato em cancro, pois a água facilita a liberação de esporos.
Como conferir o número
- Recontagem manual: percorra novamente a linha de árvores marcadas e anote o total.
- Verificação digital: abra a ficha no todocampo, clique em "Resumo" e compare com a soma manual.
- Diferença aceitável: até 2 % de variação entre os dois totais.
- Se a diferença exceder 2 %, repita a contagem linha a linha até encontrar o ponto de erro.
O que fazer quando o resultado vem fora do esperado
- Percentual > 5 %: revise a amostragem, confirme a densidade real, verifique se todas as áreas foram percorridas. Registre a suspeita de surto e comunique o técnico responsável.
- Percentual < 0,5 %: verifique se trechos foram pulados. Complete a inspeção nos pontos faltantes e recalcule.
- Desvio de 1 % a 2 %: anote a dúvida no campo de observações e agende nova vistoria em 7 dias.
- Em qualquer caso, mantenha registro fotográfico das árvores marcadas para auditoria.
Tabela de comparação rápida
| Região | Altitude (m) | Densidade (árvores/ha) | % cancro esperado | % greening esperado |
|---|---|---|---|---|
| Vale do Paraíba | 400‑600 | 500 | 1‑2 % | 0‑1 % |
| Interior Sul | 600‑800 | 450 | 2‑4 % | 1‑2 % |
| Litoral Norte | < 200 | 550 | 0‑1 % | 2‑3 % |
Use a tabela para checar se seus números estão dentro da faixa típica. Se estiver fora, siga a seção anterior.
Erros comuns
- Contar duas vezes a mesma árvore – A fita não foi removida antes de avançar. Retire a fita ao deixar a árvore e registre o número apenas uma vez.
- Usar densidade genérica – Aplicar 500 árvores/ha em todas as áreas gera percentuais falsos. Meça a densidade real em amostras de 0,1 ha antes da vistoria.
- Ignorar a severidade – Anotar apenas presença/ausência subestima o impacto. Classifique leve, moderada ou grave e inclua a distribuição no relatório.
- Não salvar a ficha – Dados perdidos impedem auditoria. Confirme o salvamento no aplicativo antes de encerrar a sessão.
- Esquecer a data da inspeção – Relatórios sem data perdem validade. Preencha o campo de data imediatamente ao iniciar a vistoria.
- Marcar árvores fora do perímetro – Fita em plantações vizinhas gera contagem inflada. Verifique os limites do talhão antes de iniciar a marcação.
- Desconsiderar observações de campo – Comentários sobre clima ou manejo podem explicar variações. Anote tudo no campo "observações" e inclua no relatório final.
Perguntas
Qual a densidade padrão de árvores por hectare para citros?
Use 500 árvores por hectare como referência comum, ajuste se sua plantação for diferente.
Como calculo o percentual de árvores afetadas?
Divida o número total de árvores sintomáticas pelo número total de árvores inspecionadas e multiplique por 100.
Preciso de autorização para usar fita de marcação?
Não, a fita é ferramenta de campo; apenas registre a cor usada no relatório.
Onde encontro o modelo oficial de relatório?
No site do MAPA ou da Secretaria de Agricultura de SP; procure por “Ficha de Vistoria de Citros”.
Posso usar o todocampo para gerar o relatório?
Sim, registre cada sintoma na ficha e o aplicativo calcula o percentual automaticamente.
Como ajustar a frequência da vistoria?
Aumente para 2 vezes ao ano nas áreas de risco e mantenha 1 vez nas zonas menos vulneráveis.
O que fazer se o percentual estiver acima de 5 %?
Revisite a amostragem, corrija contagens e repita a inspeção em 7 dias.
Qual a densidade recomendada para o interior sul?
Use cerca de 450 árvores por hectare, conforme a tabela de comparação.
A conta sai sozinha quando você anota por áudio.
Você manda o áudio no WhatsApp, o todocampo devolve a ficha e você confirma. Custo por hectare, arroba produzida e conta a pagar saem sozinhos.
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Escrito pela equipe do todocampo, sistema de gestão de fazenda usado pelo WhatsApp. Publicado em 15 de outubro de 2026. Números de mercado, prazos e regras de órgão público mudam: confira sempre na fonte oficial antes de decidir.